
E mais uma tragédia acontece no Brasil, desta vez um crime hediondo cometido por uma pessoa pública e com repercussão diária na mídia nacional e, em alguns momentos também internacional devido a crueldade com que houve o assassinato da ex-amante do goleiro Bruno, jogador do Flamengo.
Não cabe a este espaço discutir ou colocar em pauta a gravidade do crime ou o grau de culpabilidade e envolvimento dos envolvidos, principalmente de Bruno, única pessoa pública envolvida no caso. Para isto existe a mídia especializada e todos os milhares de veículos de imprensa que estão cobrindo o caso e permitindo novidades instantâneas para todos.
Porém, como em todo e qualquer caso de grande repercussão na imprensa, este não é diferente, todas as emissoras de televisão realizando exaustivas coberturas, mostrando diversos ângulos do caso e, todas - sem exceção - tentando de alguma forma conseguir exclusividade sob algum aspecto ainda não explorado por seus concorrentes. Isto é fazer jornalismo, é o que se aprende quando se estuda, é a tentativa de inovar e levar ao público informações variadas para que, ele - o telespectador - possa ter condições de refletir sobre o assunto.
Ocorre que a linha é muito tênue, muito mesmo. O jornalismo e a exploração de miséria humana caminham quase de mãos dadas numa situação e é preciso mais do que simplesmente profissionalismo e experiência na área para não ultrapassar os pontos, se esquecendo dos limites e acabar por produzir algo de qualidade duvidosa e que não acrescenta em nada para o telespectador, afinal, é exclusivamente para ele que a mídia produz, certo?
Nesses últimos dias tudo o que se vê na TV durante boa parte do dia é fruto do trabalho jornalístico de diversas pessoas que colhem informações a respeito do caso. Trabalho sério, bem pesquisado e de bom tom tem sido feito, principalmente pela Rede Globo, cuja cobertura nunca ultrapassou o limite do bom gosto, nunca entrou no achismo ou no julgamento precipitado e também nunca explorou o caso exageradamente simplesmente em busca de audiência. Os jornalísticos da emissora, certamente seguindo o Padrão Globo de Qualidade, sabem dar o tom correto, a seriedade necessária que o caso exige, mas em nenhum momento o público se sente invadido ou cansado. Informações apenas necessárias.
Outros jornalísticos estão realizando coberturas sérias e que não ofendem os olhos do público. É o caso do Jornal da Record que em outros momentos e outros casos não soube conduzir as reportagens, desta vez vem realizando um excelente papel de informar o telespectador e merece os parabéns por isso. O Jornal do SBT também realiza um papel interessante neste momento do jornalismo brasileiro, como sempre o faz, aliás, graças ao competente trabalho de Carlos Nascimento.
Em contrapartida os jornalísticos populares estão completamente perdidos - como sempre. Brasil Urgente com José Luis Datena vem realizando um trabalho vergonhoso e que dá nojo a qualquer profissional de imprensa no país. Conclusões precipitadas, entrevistas com pessoas que não sabem nada sobre o caso e lançando perfis dos criminosos feitos por pessoas incompetentes. E isto se repete com o mesmo formato da Record, que aliás, até fugiu o nome de tão ruim que é.
Mas me chamou a atenção um programa em especial. Conexão Repórter, do SBT, com o excelente jornalista investigativo Cabrini que sempre faz ótimos trabalho errou a mão. Na última semana foi ao ar ao vivo e cheio de informações exclusivas e completamente irrelevantes para a história. O momento ápice de exploração exagerada e pouco jornalismo foi a entrevista emocionada que o pai da vítima deu ao vivo ao jornalista. Tudo orquestrado para dar audiência, emocionar o público e, a despeito de tudo isto, não houve acréscimo a nada que todos já sabiam, ou seja, pura apelação. O caminho não é este, não mesmo.
FONTE:TVxTV
Nenhum comentário:
Postar um comentário